Eram 23:57 quando Clara saiu do banho.

A pressa para descansar era tanta, que nem percebeu a perfeita sincronia da chuva com o chuveiro.

Enrolou-se em uma toalha bordada com seu nome em tons de azul, entrou no quarto e jogou a roupa no armário.  Ao fechar a porta deste,como se fecha a porta de uma geladeira quando não se encontra nada agradável aos olhos do paladar, viu pela janela algo que nunca vira antes.

Era a mandala da chuva.

Na verdade, tratava-se apenas de uma poça d’água, que com o auxílio da chuva fina que ora lançava seus pingos mais grosseiros, e ora seus pingos educados, formavam uma linda mandala… leve e profunda.

Mandala essa, que lhe dizia que ela podia fazer o que quiser ou cair em qualquer lugar.

Na mandala da chuva, o pingo que cai no meio da poça, se abre, se espalha e aparece com facilidade.  Já o pingo que cai distante, contribui como elemento de beleza da mandala.

Não importa aonde o pingo caia.

Cada pingo é uma tentativa,

Cada tentativa, é um elemento,

Cada elemento, contribui e enfeita a mandala.

Cada mandala fala com uma pessoa.

E a mandala que falou no coração de Clara naquela noite, foi a mandala da chuva!

Anúncios