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” Você que inventou a tristeza, ora por favor, tenha a fineza de desinventar”
{ Chico Buarque }
Fingir com palavras era uma coisa tão hesitante, tão vulnerável, tão constrangedora, que ninguém podia ficar sabendo. Só de escrever disse ela ou e então, Briony envergonhava-se, sentia-se ridícula, por fingir conhecer as emoções de um ser imaginário.
Cada vez que falava sobre a fraqueza de um personagem, inevitavelmente se expunha; era fatal que o leitor imaginasse estar ela descrevendo-se a si própria. De que outra maneira poderia ter descoberto aquilo?
Era só quando a história ficava pronta, todos os destinos resolvidos, toda a questão encerrada do início ao fim, tornando-se, pelo menos sob esse aspecto, semelhante a todas as outras histórias concluídas no mundo, que Briony se sentia imune, pronta para fazer furos nas margens, encadernar os capítulos com barbante, pintar ou desenhar a capa e levar a obra pronta para a mãe ou o pai, quando ele estava em casa.
Reparação – Ian McEwan
Mal comecei a ler, e já estou apaixonada!






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