…Então, Olívia chegou como sempre às 13:15 para mais um dia de trabalho, tomando o seu habitual suco de beterraba com laranja e cenoura de todos os dias.
Cumprimentou a recepcionista, o porteiro e seguiu no elevador.
Quando a luz vermelha marcou o segundo andar, fechou os olhos respirando fundo e contando até três.
Entrou na sala, cumprimentou seus colegas e seu chefe, que estava lá, fingindo ler um jornal de ponta cabeça, mexendo no óculos extremamente desproporcional para o seu rosto gordo e sua careca oleosa, que não lhe respondeu.
“Foda-se” – pensou ela.
Sentou em sua mesa, ligou o computador, e começou a verificar seus e-mails.
- Se divertindo na internet, dona Olívia? – Disse ele com o cinismo de sempre.
- Ah sim, muito! Estou falando com a nossa representante no Rio de Janeiro para desmarcar as suas reuniões de amanhã em Copacabana, porque a Tânia, sua prostituta de todas as quartas, vem aí hoje para te dar um canseira no couro e outra no bolso.
O sarcástico sorriso de Valdecyr, desmanchou-se numa expressão de raiva.
- Você estava no telefone ontem quando eu saí.
- Sim.
- Com quem?
- Não interessa.
- Interessa. Sou eu que pago as ligações.
- Não essa.
- Por que não desligou quando eu desci?
- Porque eu não fui criada para ser mal-educada que nem você.
- Quem você pensa que é pra falar assim comigo?
- E quem você pensa que é pra falar assim comigo?
- Seu chefe, porra!
- Grande merda!
- O quê?
- GRANDE MERDA! Qual a vantagem que você leva nisso hein, chefinho? – disse em tom irônico – Poder descarregar a raiva dos seus problemas em cima de quem nada tem a ver com a sua vida, de quem não tem culpa? Poder exercer seu diploma de cavalo? Você não é nada. Não passa de um bolso cheio, pronto pra comprar a todos e tudo o que vê pelo caminho…só sabe ridicularizar as pessoas… e quer saber? Eu to é cansada de ver essa sua cara de bunda todos os dias! Chega!!
Olívia tirou de sua bolsa, uma pequena arma, mirou no meio da testa de seu futuro ex-chefe e atirou três vezes.
Ficou parada, vendo o corpo de Valdecyr tombar no chão, observando o sangue escorrer do meio de sua cabeça pelo nariz.
Algumas gotas pingando diretamente no chão e outras escorrendo pelo pescoço.
Então, sem a menor preocupação, saiu da sala tranqüila, e foi embora com um leve sorriso no rosto.
O mesmo sorriso que tinha ao acordar cinco minutos após o tiro.



5 comments
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27/01/2009 às 22:30
Samuel
Explodir!
É isso que acontece quando a gente guarda a raiva no peito, vai acumulando até que chega a explosão! E não tem jeito, se a gente não explodir, a gente implode, melhor botar pra fora duma vez.
Como um bom irritado prefiro várias explosões pequenas e bem contidas a guardar ‘dinamite’ pra uma explosão maior e que cause mais estragos :-p
Um grande abraço!
28/01/2009 às 10:51
Jean Rocha
Ai, esses chefes…
às vezes as pessoas conseguem nos causar vontades mórbidas, instintos violentos que nunca imaginamos estarem aqui, dentro de nós.
Um dia, explodimos.
Tenho medo do dia em que eu explodir, eu que sempre fui tão pacato e anti-violência. Sei lá.
Abração!!!
01/02/2009 às 11:39
♥ Lyani
Ah, tem selinho no meu blog pra vc! Estou tão feliz de estar de volta
Bjos,
Ly
01/02/2009 às 22:06
Nattsss!.
hasuahs eu tive e tenho o prazer de sempre ler seus textos antes, mais creio particulamente que este aí tem um toque especial e uma verdade única, ou to inventando??? rsrsr
Beijo amor…….
tardela da minha vida.
=***
04/02/2009 às 01:02
Drika
ai. adorei!!!