You are currently browsing the daily archive for Janeiro 20th, 2009.

Eles nunca moraram no meu corpo, e nunca estiveram adesivados à minha pele para saber quem realmente sou, o quero fazer, o que sinto ou deixo de sentir.

Sempre foi um pouco mais difícil para eles  compreenderem, mas não os culpo por pensar do jeito que penso; culpo a mim mesma por não deixar que me conheçam inteira, sem eira nem beira e nem sem barreira.

 

Fui eu que deixei a situação acontecer.

Não opinei quando quis dar opiniões,

Não cantei quando quis cantar, por medo das pessoas me acharem desafinada, semitonada.

Não dancei quando quis dançar, com receio de rirem do meu jeito desengonçado.

Não gritei quando as milhares de vozes acharam um jeito de escapar do ambiente acústico.

Não banquei a maluca, por medo de me acharam realmente uma maluca.

Não impus respeito, e perdi  o auto-respeito.

 

Não fiz, e não deixei de fazer nada do que eu queria por achar que a minha vontade, os meus desejos não eram importantes e nem suficientemente dignos de serem levados a sério.

 

Eu me violentei.

E carrego as marcas até hoje.

Acordei Bemol
Estava tudo Sustenido.
Sol fazia,
Só não fazia sentido

{.Paulo Leminski. }

Sintaxe à vontade

"Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser.
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado;
Nem tampouco a vírgula, a crase, nem a frase, e nem o ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos opõem entre pausas, entre vírgulas; e estar entre vírgulas é aposto.
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos, sendo apenas um sujeito simples!"


 

Janeiro 2009
D S T Q Q S S
« Out   Fev »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Sobre a Leitura



"Deve-se ler pouco e reler muito.
Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem.
É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."

Nelson Rodrigues


"Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem.
Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?

Franz Kafka.
SOBRE A ESCRITA...

"O que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la!"


"Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos.
Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas.
Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras."


"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir
Não sou pretenciosa.
Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando "...


"A palavra é minha quarta dimensão.
[...] escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é a palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca - alguma coisa se escreveu."


"Eu só escrevo quando eu quero. Sou uma amadora, e faço questão de continuar a ser amadora.
Profissional, é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro.
Agora eu faço questão de não ser profissional, para manter a minha liberdade"

Clarice Lispector

ARQUIVOS

Folheie!

  • 16,125 Folheadas




"É somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta através do preparo culinário, que ela é tornada susceptível de mastigação ou digestão; e que a visão de seus sucos sangrentos e horror puro, não criam um desgosto e abominação intoleráveis."

Percy Bysshe Shelley.

DOE-SE

Alegria!



Vida!

c