O efeito Alice
Março 16, 2008 de Lídia
Ao levantar a cabeça, uma surpresa.
Ainda chovia, mas o dia não era mais cinzento.
O sol aparecera expulsando o cinza, dando lugar ao azul-turquesa de seu sonho ao céu.
O coração encheu-se de um “sei lá o que” muito bom, deixando transparecer no rosto, um sorriso feito o de Alice, e permitiu-se a prestar mais atenção em tudo que a cercava.
Primeiramente, olhou dentro do ônibus.
Meu Deus, como haviam pessoas diferentes ali. Isso porque era apenas um ônibus.
No corredor ao lado, um senhor barbudo espantava uma mosca, talvez imaginária, dando tapas descoordenados no batatudo nariz, ao pescar o sono.
À frente dele, duas senhorinhas de olhares aparentemente bondosos, tricotavam sobre a vigília nada boa do padre Miguel.
Em pé, com as duas mãos apoiadas na barra de metal; um adolescente com os fones de ouvido no último volume, embalado pelo som alucinante do “tuntz tuntz”, que hoje cismam em chamar de música boa.
Na catraca, uma moça alta que aparentemente acabara de chegar de uma longa viagem, com um mochilão nas costas, e carregando a casa dentro da mala vermelha e gigante de rodinhas, na mão, cutucava o cobrador que adormecera em cima dos trocos.
E a chuva limpando o dia.
Cansada daquela realidade momentânea, decidiu ver o que tinha de bom do lado de fora.
Pelo visto, não era a única na cidade a trabalhar no tão sonhado feriado…
Pessoas bocejavam na porta de suas lojas, sem nada a fazer; umas, levando seus cachorros para passear e outras sendo levadas por eles.
Era engraçado de se ver.
Mais a frente, quando o ônibus parou num sinal, viu um grupinho de meninas a brincar de amarelinha….
Desejou ter aquela idade novamente, quando brincava de elástico, pega-pega, corre cotia, amarelinha, queimada, barra-manteiga e etc… a saudade veio como um esboço de sorriso em seu rosto.
À julgar pelo tamanho e o jeito desengonçado e engraçado de pular as casas, a menina mais nova, caiu ralando o joelhinho a chorar muito… imediatamente as outras meninas e uma moça morena com longos cachos no cabelo, vieram socorrê-la, levando-a para dentro de casa…
Provavelmente, devem ter-lhe afagado os cabelos, encorajando a guria sentada com os braços envoltos nas pernas magrelinhas a olhar o joelho sangrando, encorajando-a a passar o remédio que ao assoprar não arderia tanto…
Mas esta cena já não pôde presenciar, pois o sinal já havia liberado a cor verde.
E o ônibus seguiu.
E Lorena seguiu junto com ele à observar tudo… a chuva que tinha cessado, o mormaço, velhinhos jogando cartas na mesa de concreto de uma antiga praça, o mini-mercado aberto, os cachorrinhos de rua molhados, um casal de namorados no ponto de ônibus ainda debaixo do guarda chuva xadrez, felizes da vida.
Mais uma parada.
Quase não acreditou ao ver sua janela toda verde.
Aconteceu que o ônibus parou encostadíssimo à uma árvore, fazendo com que todo o vidro da janela fosse tomado por folhas.
Folhas úmidas, o cheiro de orvalho, as gotículas escorrendo pelo vidro.
Ficara ali, sorrindo que nem boba para a janela ou para as folhas…já não sabia pra quem sorria…mas sorria, e o ônibus seguiu…
…
Encostou a cabeça no vidro, e com sede de absorver somente as coisas boas, olhou um pouco para cima e se viu encantada diante daquele imenso arco-íris… tão suave e quente, tão calmo e vivo.
- Inacreditável! - Disse admirada.
Tinha os olhos mareados e o coração apaixonado.
Aprendera a se apaixonar naquele dia, naquele ônibus… será o “efeito Alice”?
Seria sempre grata `a menina pelo bem que lhe causara.
Embora não quisesse, notou que já era hora de descer.
Colocou-se na ponta dos pés ao puxar a cordinha azul, e desceu despedindo-se de tudo o que vira e aprendera dentro e fora daquele ônibus…tudo o que ela levaria consigo para o resto de sua vida.
…
Chegou em seu trabalho, e nada tinha a fazer.
Ainda procurou pequenos trabalhos e detalhes pendentes…e nada!
Então, após trocar a roupa molhada pelo chique uniforme, sentou-se na cadeira, pegou seu livro, e sentiu-se desencorajada à lê-lo de tão molhado que estava.
Pegou então o desenho de Alice e ficou a observá-lo tão encantada a pensar como tudo aquilo pôde lhe acontecer…
“Deve ser coisa de Deus”, pensava…
Como? Mas como uma pessoinha de seis anos pode mudar seu dia horrível e torná-lo tão belo? Pode ser uma criança, uma borboleta, um velhinho ou um cachorro…
- “É… deve ser coisa de Deus mesmo” ; verbalizou o pensamento.
Enfim…
Depois de muito observar o desenho de Alice, Lorena adormeceu sobre ele, conseguindo o que queria desde o momento que acordara… voltar pr’aquele sonho.
Aquele lugar em que havia só ela, a grama e o céu azul-turquesa.
Só que desta vez, em seu sonho havia bem mais coisas…
Havia uma menina banguela de cachos douradinhos no cabelo, acompanhada por sua mãe, havia o riozinho, as nuvens, as maçãs nas árvores, o sol, o cachorro e até a roda gigante!!
E ficou ali adormecida sobre a mesa a sonhar das oito horas da manhã, à uma da tarde quando fora novamente despertada pelo cantar do galo digital.
Mas desta vez não acordara assustada.
Acordou com o coração sorrindo dentro de si.
Acordou muito feliz!



que bela história.
as pequenas coisas puras que a vida tem nos faz reacordar e perceber as belezas escondidas atrás de pessoas, coisas , lugares.
que a cada dia podemos acordar de um sonho com um sorriso dentro de si.
um beijo
Que lindo, Lí!
Ai, adorei a história! Que lindo, cara!
Pô, demorei a comentar, né?
rs.. foi mal.
Escuta, cê nem apareceu no msn depois, né?
Cabeçuda!
Adorei a história. Agora quero outras! ha ha ha
Lindo, lí!
Lindo!
Beijosssssssss
Liiii
Amo seus posts, são tão lindos e fazem tão bem a gente…faz a gente sentir aquele “sei lá o que” quando estamos lendo, nunca perca essa mania de escrever viu….amei essa história da Lorena…acho todos nós já passamos por situações parecidas neh…graças a Deus!!!
Te adoro Lí….bjos
ai q fofo!
q bom pra lorena q conseguiu melhorar a forma de olhar o mundo!
beijocas!
Aaahhhh!!!
que linda!!!
amei a história toda! do primeiro post ao final feliz, mesmo que o galo digital seja o mais chato da história da humanindade!
hahahaha!!!
Acho que todos nós ja encontramos nossas Alices algum dia daqueles e temos todos um pouquinho de Lorena em nossas vidas..
Só uma perguntinha… Pq todo padre chama Miguel?!
bjus
* Liniinha, minha flor!!!
Tu não sabe como fico feliz de ver teus recados aqui…
Pode deixar que vou tentar não perder essa mania viu…
O problema é tempo de publicar…ehehhe
Kissu lindoca!
Amo-te!
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Amigos queridos…
Mil desculpas pelo sumiço…
Ando tão atarefada ultimamente que quando chego em caso, só vejo o chuveiro e a cama….hehe
Mas prometo me dedicar mais, ok?
BEIJOS GIGANTES!
E obrigada à todos que tiveram A PACIÊNCIA de ler essa historinha, na qual representa muito a minha vida, e na minha vida!
KISSUUUSS! ♥
que bom que ela acordou feliz no fim das contas!
e eu tô bem sim, não se preocupe, tá?
beijão!
aiiimmm
to apaixonada por esse post
aaaiiimmmmmm
(l)
voltaaaaaaaaaa
qto tempo!!!
andou sumida, hem?
bjo