Um dia daqueles
Fevereiro 12, 2008 de Lídia
Chovia…
Quando acordou, assustada com os pingos que batiam com brutalidade em sua janela, desejou não mais acordar.
Fechou os olhos em desespero a voltar para seu sonho, onde havia somente ela (Lorena), a grama, e o céu azul – turquesa, livre da independência indiferente das nuvens.
Quando enfim, estava quase a voltar pr’esse lugar desconhecido, fora abruptamente interrompida pelo cantar do galo digital – uma dessas modernidades para aparelhos eletrônicos.
Tomada pelo susto, levantou rapidamente a cabeça, batendo-a com força na luminária presa à sua cama.
- AAHHH! – Exclamou com raiva, quase a acordar a irmã que balbuciava palavras como querendo-a mandar calar a boca, se revirando revolta na cama abaixo.
Passado o susto, sentou-se para tentar acordar.
Com cotovelos apoiados nos joelhos, e mãos ao rosto em movimentos circulares a esfregar os olhos, tentava pensar que não teria que levantar para trabalhar – mas teria.
Inclinou-se para trás, elevando os braços, pernas e todo o corpo, feito gato a se esticar.
Do lado de fora, também ouvia-se os ossos a acordar.
Sentou-se novamente suspirando desânimo.
Abriu a janela, e de imediato, recebeu em suas pernas desnudas da camisola amarrotada, pingos que mais pareciam-lhe gotas de gelo.
Avermelhou-se de uma raiva matinal, contendo-a para não acordar a irmã.
Desceu da cama e seguiu para o banheiro, onde tomou um banho e vestiu-se o mais rápido que pôde.
Ao cabelo cheio de nós, deu-lhe um sonolento penteado, que visto de longe, lembrara um coque.
Mas só de longe – e definitivamente não era um coque.
Era um “sei lá o quê” cheio de cabelo…
Encheu o peito e a cara ainda amarrotada pelo sono, de coragem, e seguiu.
Ao sair do prédio, percebera que seu ônibus havia acabado de passar, fazendo com que suas têmporas ganhassem mais um tom de: vermelho- raiva.
Seguiu então, a caminho do ponto de ônibus, tentando equilibrar-se entre a bolsa pendurada no ombro esquerdo, a chuva, o vento, e o guarda chuva ameaçando fugir de sua mão direita.
Quanto mais se equilibrava, e mais depressa andava, mais chovia…
E chovia com grosseria e ousadia.
Após dez minutos de luta constante contra a chuva, o vento, e seu corpo, conseguiu enfim, chegar ao seu destino.
O ponto de ônibus.
.
…
.
E lá esperou.
E enquanto esperava, a chuva aumentava;
O guarda – chuva tremia – ela, metade molhada.
Avistara ao longe, um carro a deslizar ligeiro pelo asfalto em direção à rua onde encontrava-se desequilibrada, e logo percebera o que aconteceria em… 10, 9, 8, 7, 6 …
Recuou ao máximo que pôde, encostando-se na parede cinzenta, de rústica e rochosa textura, colocando inutilmente o guarda – chuva já do avesso à sua frente, quando … 5, 4, 3, 2, 1, e… então passaram- se as rodas do automóvel apressado, por cima da poça, molhando-a de corpo inteiro, fazendo-a perder seu guarda – chuva pelo susto da água suja e gelada vinda da poça, e pelo vento que o levara ao avesso.
Gritar com alguém era a sua vontade.
Mas não o fez, porque não tinha com quem partilhar a sua raiva; e… mesmo se houvesse, não o faria. Não fora esta ríspida educação que recebera.
Restou então, cruzar os braços e esperar o outro ônibus ali mesmo… embaixo da chuva.
As gotas pareciam tapear-lhe a cara de tão rápidas, frias e grosseiras.
Tentava levar seu pessimismo pra longe, mas não conseguia.
Se o dia já a tratara assim logo pela manhã, o que mais aconteceria?
Prometeu não pensar nas terríveis possibilidades, pois sabia que teria um dia daqueles…
Avistou alguém chegando ao ponto, a fazer-lhe “companhia”, e desejou ser aquele alguém que estava seco, de casaco e guarda-chuva por um instante, mas logo desistiu da idéia ao ver seu ônibus se aproximar.
Adentrando ao saculejante transporte, percebera todas as atenções voltadas para si, devido ao seu traje encharcado, e ao seu desajeitado modo de passar pela catraca tão irritadamente, fazendo a alça da bolsa prender enquanto a catraca girava, levando-a à um quase-tombo.
.
Após os dez segundos mais longos de sua vida, passeou o olhar por todos os lugares, escolhendo o mais distantes dos olhares e ali sentou.
Ajeitou a bolsa de preta de tecido, completamente molhada em seu colo, colocou os fones no ouvido, e… tomada pelo susto do último volume da música, pulou do banco, fazendo os olhares voltarem novamente para si.
Retribuiu-os com o sorriso mais amarelo que achara em seu rosto apático, e disfarçadamente diminuiu o volume.
A música que tocava, era limpa e suave.
Ouvia-se todos os instrumentos poetizarem.
Abria e fechava os olhos lentamente e inúmeras vezes na frustrada e inútil tentativa de voltar àquele lugar. Aquele, de seu sonho.
Numa das vezes em que abriu os olhos, deparou-se com uma menina em sua frente, pedindo muito educada e docemente, licença para sentar-se ao seu lado….
Continua…



menina, eu me vejo claramente nessas tuas histórias de ônibus… kkk soh vivo dentro de um….
kkkk
te add la no meu blog!!!!!!!!!!!
Engraçado, se o nome da menina não fosse lorena jurava que você me conhecia… Chuva, ônibus, rua e Ana Clara juntos são sinônimo de desastre e um dia mais que daqueles…
Quanto a seu post no meu blog, bom o Gui foi ex meu que morreu ano passado, a gente já não tinha mais nada, mas nossa relação foi muito conturbada, muito mesmo e no final acabamos nos magoando, coisa que eu me arrependo muito. Então ele morreu e eu passei a ver a vida de uma outra maneira, eu sempre quis sentar e conversar com ele como fiz no sonho, pedir desculpas sabe?! Mas agora não tem mais jeito e meu sonho só serviu pra me lembrar isso…
Foda como a vida da gente as vezes da voltas sem retornos. mas eu estou bem! Mesmo ele não estando mais aqui ele ainda me faz crescer e me acrescenta muita coisa!!!
Bjinhos pra você! passa lá dps!
Rapaz…
É um texto melhor q o outro!
Puxa, lí… super bacana que tá ficando, viu?
Agora eu quero ler o resto. E já!
Cê sumiu… Saudade grande de vc, minha linda.
Beijos enormes.
Ai, meu Deus, jura que tu não colocou uma câmera me espionando?! rsrs
Vontade de não acordar de manhã;
Totalmente desajeitada pra andar na chuva, tentando segurar bolsa e guarda-chuva, e ainda evitando “inutilmente” se molhar;
Pegando um ônibus pra ir trabalhar.
Aff, oh vida cruel!!!
Xerus
=***
ah, mas eu teria voltado pra trocar de roupa e esperar a chuva passar. com certeza!
beijão, garota. e obrigada pela força!
Desculpa pela demora em retribuir a visita e o gentil comentário deixado no Taxitramas. Estou voltando de férias e, lentamente, reorganizando minha vida virtual.
Há Braços!!
ai que delícia de história né? Tô sumidinho, mas quem disse que isso não pode ser um bom presságio?
bons dias para você!
beijo
bom, agora que vi o sentido da minah frase. quando eu disse delícia era no sentido de como uma história de chuva mais ônibus pode se tornar uma história tão cheia de detalhes e toda floreada.
keep writing a lot!
Cadê a continuação do bagulho?!!!
To loca pra ler linda!!!! Passo aqui todo dia na esperança de me divertir…
Curiosidade matando a pau!!!
Bjuuu
Eu quero saber:
Kd a continuação?
Pô, sacanagem… É pra me deixar curioso, é?
Pois saiba que conseguiu!
Danada.
Linda,
Beijossssssssss