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Eram muitas as árvores.
Uma maior que a outra.
O céu era borrifado de nuvens bem branquinhas.
O cheiro da natureza, lhe penetrava as narinas a cada vez que respirava fundo.
Talvez quisesse trazer consigo a sensação do frescor daquele instante, e resgatar as lembranças de sua infância.
Ou quem sabe, apenas alguma parte dela.
Sempre odiara o silêncio.
Dizia que a incomodava.
Mas lá, aprendeu a ouví-lo, e precisá-lo.
Descobrira que silêncio tinha um som!
E tinha mesmo!
Não era insana…
É que se trata de um som que poucos conseguem escutar.
Apenas os privilegiados.
E ela era uma.
Estava descalça, e sentia a ponta das gramas fazer-lhe cócegas nos pés.
Ria. Era boa a sensação.
De longe, ouvia os pássaros conversando entre si.
“Devem estar felizes, porque o dia está sorrindo para eles hoje” – ela pensava.
Sem se importar muito com a sujeira da terra e o pinicar da grama, deitou-se no chão, e brincou de revelar desenho nas nuvens…
Na verdade, não conseguira ver desenho algum, pois a claridade do dia era tão intensa, que quando tentava decifrar algo, sua vista logo se embaçava.
Lembrou apenas de um, que em um momento de folga, o sol lhe permitira ver…
Era um unicórnio. Um unicórnio com cauda de peixe, que parecia prostar-se à ela.
Achou estranho; mas pareceu gostar.
Cansada daquela claridade amarelada, recostou-se à sombra de uma árvore, e deixou que aquelas folhas tão vívidas, impulsionadas pelo vento, fizessem sua apresentação.
Uma linda dança.
Fechava e abria os olhos lentamente enquanto a suave música tocava.
Deixava a brisa passear vagamente por sua pele.
Sorria,
Podia escutar o bailar das folhas, no ar e no chão.
Percebeu o vento cochichar em seus ouvidos, que já estava na hora de ir, e que depois voltaria.
Ignorou-o.
Podia ouvir cada vez mais alto, o conversar e cantarolar dos pássaros…
Era um canto doce, mas eram muitos.
Cantavam com toda emoção que saía de dentro daqueles mínimos corpinhos.
E cantavam muito, muito alto.
…
Acordou com o despertador histérico, o estresse das buzinas , e os gritos do telefone.
Colocou novamente a cabeça em seu abundante travesseiro, e afundou-a, anseando voltar o mais rápido possível para aquele lugar.
Um lugar que desconhecia.
Foi neste momento que descobriu qual é o som do silêncio que até então sempre odiara.
O sopro da brisa, o bailar das folhas.
O sussurro do vento.
O andar das nuvens, as cócegas nos pés.
A mordida que dera em uma cereja.
O canto dos pássaros
Tudo isto era o silêncio.
O silêncio, que em um ínfimo segundo aprendera a amar!



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