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Estava voltando da casa de não sei quem, com um baita sorriso no rosto, toda boba-alegre.
Aí, no meio do caminho, encontrei um coral de gatos e cachorros super afinados que cantavam: “É devagar, devagarinho”, do Martinho da Vila… e quem regia este coral era um rato gordão de imensos bigodes.
Achei curioso, diferente… tive vontade ficar e apreciar a música, mas tinha que ir embora… e fui!
Andei um pouco mais, e alguém me chamou…
Era um pincel sujo da cor violeta…
Todo cheio de si, queria uma sincera opinião sobre sua obra de arte.
Quando me mostrou, quase não acreditei… ele pintava um arco-íris!
Sem pedir permissão ao senhor pomposo, eu escorreguei em seu arco-íris, e enquanto descia, vi coisas que não estamos acostumados em ver em nosso cotidiano, como por exemplo: Sorvetes com cobertura neon, um sol de óculos escuros, políticos trabalhando justa, sincera e árduamente, uma flor peruíssima de biquíni e notas musicais bailarinas.
Era tudo muito lindo!
Mas ao chegar no final do arco-íris, o amargo gosto da frustração tomou conta de mim, pois não encontrei o baú de tesouros, nem aquele monte de doces e muito menos o pote de ouro que estamos tão acostumados a ouvir pelas lendas da vida.
Ao invés toda esta porção de coisas boas, encontrei uma rua escura… e como não conseguia subir no arco-íris de volta, comecei a andar por ela.
De repente uma música dessas de filmes de bang-bang, de guitarras muito chorosas e gaitas resmungonas, que tocam no momento em que o bandido adentra ao local onde o mocinho se encontra, anunciando que a hora do duelo está há um segundo de acontecer, começa a tocar…
Mas ao virar para trás, ao invés de encontrar um cowboy, encontro um palito de fósforo com uma jaqueta de couro preta, óculos escuros, e de cabelo moicano, no maior estilo “bad boy” de ser…
Detalhe: Seu cabelo estava em chamas!
Ele me disse:
-Vem cá!
Eu respondi:
- Eu não! Tá doido? O que é que você quer?
- Eu quero te beijar!
- Você é um tarado?
- Nããooo…eu só quero te beijar!
- Mas aí você vai me queimar…
- Eu não ligo… vem aqui.
- Nããoo…sai de perto de miiiimmmm!!!!
E aí começou a fuga…
Era uma rua reta, longa, estreita e sem saída. Quando cheguei em seu final, o malvado palito me pegou de jeito e disse:
- Um beijo e nada mais, meu bem!!
Foi quando ele me colocou em pose de beijo de cinema e foi se aproximando.
E eu desesperada, chorava e gritava:
- Me laargaa…você vai me queimar…. SOCOOOROOOOOOOO!!!!
Ele se aproximava mais, e eu me assustava mais,
Ele dizia que não era nada demais, e eu achava que aquilo já era de mais,
Seu cabelo acendia cada vez mais, a luz era forte demais!
Já não suportava mais…
…
- NÃÃÃÃÃÃÃÕOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!
… E na hora que gritei, acordei!
Nota: Este sonho eu tive quando tinha dez anos de idade.



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