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Vida Sanitária

Agora de manhã, enquanto eu tomava o meu café com a Elílde, ela solta esta constatação:

” – Ah, eu não queria ser um vaso não! “

É que eu lhe explicava sobre a desconfiguração intestinal que tive ao acordar…
Depois que ela foi embora, fiquei a pensar sobre tal assunto.

Assim como deve ser entediante ser uma árvore, pior ainda deve ser a vida de um vaso sanitário.
Imagina… além de também ser entediante por ter que ficar trancado num ambiente só, com aqueles azulejos frios, tem que aguentar aquelas bundas de vários tipos sentando em você toda hora.
E pior ainda deve ser a vida dos vasos sanitários de banheiros públicos…
Aqueles, sem tampa, cuja a porta, que são sua única privacidade, são rabiscadas por recadinhos obscenos…  isso quando ainda se tem o privilégio de ter uma porta.

Aí você ta lá quietinho, calmo… na sua, e de repente vem um ser com toda a boa vontade do mundo, e senta-se com todo o peso de sua bunda gorda em você, e em fração de segundos, ouve-se:

“ ROOOOOOOOOOOOOONNNNCCCC… ”

É aí que a lama se espalha!
São líquidos anais, orais, xixi… isso quando não resolvem te fazer de lixo também, jogando o papel sujo dentro de você, que acaba se entupindo todo… ou quando ainda acendem um palito de fósforo com a desculpa de que é para sair o mal cheiro.
Que desaforo!
Além de já feder à merda, fede-se também a pólvora…o que é uma química nada segura por sinal…
Fora que ainda tem que agüentar os roncos intestinais.
Sim, os peidos!
Credo!

Eu não serviria para esta vida não…
Viveria pedindo incessantemente para me banharem de um desinfetante floral bem cheiroso, ao invés de fósforo.

Mas enfim, alguém tem que desenvolver este papel  na sociedade, não é mesmo?
E ainda bem que não sou eu!

Acordei Bemol
Estava tudo Sustenido.
Sol fazia,
Só não fazia sentido

{.Paulo Leminski. }

Sintaxe à vontade

"Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser.
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado;
Nem tampouco a vírgula, a crase, nem a frase, e nem o ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos opõem entre pausas, entre vírgulas; e estar entre vírgulas é aposto.
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos, sendo apenas um sujeito simples!"


 

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Sobre a Leitura



"Deve-se ler pouco e reler muito.
Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem.
É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."

Nelson Rodrigues


"Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem.
Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?

Franz Kafka.
SOBRE A ESCRITA...

"O que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la!"


"Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos.
Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas.
Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras."


"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir
Não sou pretenciosa.
Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando "...


"A palavra é minha quarta dimensão.
[...] escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é a palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca - alguma coisa se escreveu."


"Eu só escrevo quando eu quero. Sou uma amadora, e faço questão de continuar a ser amadora.
Profissional, é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro.
Agora eu faço questão de não ser profissional, para manter a minha liberdade"

Clarice Lispector

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"É somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta através do preparo culinário, que ela é tornada susceptível de mastigação ou digestão; e que a visão de seus sucos sangrentos e horror puro, não criam um desgosto e abominação intoleráveis."

Percy Bysshe Shelley.

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