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Difícil falar dos dias que tem feito por aí.

Eu particularmente, não gosto muito de dias cinzas.
Prefiro os azuis…
E embora a cor azul não seja a minha favorita, no céu, é impressionante de se ver como fica linda!

Os dias cinzas… não sei…
São de uma inércia sem tamanho.
Não dá vontade de acordar, sair na rua.
E quando se sai, aquela mesma coisa de sempre.
A nebulosidade pesada, uma nota de melancolia.
As pessoas estranhas… todas iguais, sem nada a dizer.
O funga-funga presente nos narizes,
O lilás-avermelhado presente nas varizes,
E raras pessoas verdadeiramente felizes.

Dias azuis não são assim.
Existem dois tipos: Azul-Quente  e  Azul-Frio.
Ambos são bons.
Mas ainda prefiro o azul-frio.

O que eu mais gosto nesses dias, são suas variações.
São congelantes de tremer os lábios,
Estranhos de confundir os sábios,
Quando num ato de ousadia,
O sol faz-se iluminar com seus raios.
Acessórios vem à tona.
Segredos, risadas, dúvidas e choradeiras,
São revelados debaixo de cachecóis multi-coloridos, casacos sobretudo, e óculos variados…
1, 2 e … click!
Olha a foto que tirei da florzinha vermelha de poucas pétalas que brotou no meio da calçada!
Linda não?

Esses dias são apaixonantes!
Nos aguçam os sentidos.
Nos deixam exibidos; outros inibidos…

Nos prendem a atenção,
As vezes nos deixam sem palavras, sem ação.

Esplêndido dia, não?

Acordei Bemol
Estava tudo Sustenido.
Sol fazia,
Só não fazia sentido

{.Paulo Leminski. }

Sintaxe à vontade

"Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser.
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado;
Nem tampouco a vírgula, a crase, nem a frase, e nem o ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos opõem entre pausas, entre vírgulas; e estar entre vírgulas é aposto.
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos, sendo apenas um sujeito simples!"


 

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Sobre a Leitura



"Deve-se ler pouco e reler muito.
Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem.
É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."

Nelson Rodrigues


"Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem.
Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?

Franz Kafka.
SOBRE A ESCRITA...

"O que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la!"


"Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos.
Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas.
Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras."


"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir
Não sou pretenciosa.
Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando "...


"A palavra é minha quarta dimensão.
[...] escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é a palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca - alguma coisa se escreveu."


"Eu só escrevo quando eu quero. Sou uma amadora, e faço questão de continuar a ser amadora.
Profissional, é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro.
Agora eu faço questão de não ser profissional, para manter a minha liberdade"

Clarice Lispector

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"É somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta através do preparo culinário, que ela é tornada susceptível de mastigação ou digestão; e que a visão de seus sucos sangrentos e horror puro, não criam um desgosto e abominação intoleráveis."

Percy Bysshe Shelley.

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