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shit.jpg Chegamos na plataforma direita!
Nosso pensamento era bem otimista… 

“ – Ah, melhor resolvermos logo tudo isso, do que ficar adiando…aí já colocamos as músicas e começamos a usufruir deste aparelhinho tão desejado…”

Enfim!
Chegamos lá… e lá ficamos.
Ficamos quase uma uma hora e meia, e nada de “Santo Amaro”…
Enquanto esperávamos, vimos e ouvimos de tudo… um ônibus pior do que o outro de tão lotado… as pessoas dentro deles, expressavam puro cansaço, irritação, umas riam, outras dormiam…
Na plataforma, mãos cheias de sacolas, pessoas com olhares perdidos, viajando na fumaça de seus cigarros; amigos em bandos, risadas gritantes, e um menino por volta de seus dez anos vendendo balas, chicletes e afins, que veio em nossa direção e nos perguntou:

- Ô tia, compra um chocolate pra me ajudar?
- Ô amor, eu não tenho dinheiro…
- Compra pro seu filho.
- Eu não tenho filhos…
- Pra sua tia…pro seu avô? Sobrinho? Leva pro cachorro…

Tadinho, eu fiquei morrendo de pena…muita mesmo, mas quando ele falou pra levar para toda família, me deu uma vontade contida (claro) de rir, e me odiei por isso!
Bom…depois de uns cinco minutos, um pensamento nos ocorreu… então, o cérebro enviou a mensagem para a boca do meu pai, que perguntou com um misto de surpresa, curiosidade e interrogação em seu rosto:

- Será que o Santo Amaro não passa aqui?
- Ah não, não é possível…tem que passar!
- Ah caraca…será? Guentaê que vou ali perguntar para o tio das balas…

… Que por sinal, estava certíssimo, e meu pai depois de alguns segundos, nos chamou para a plataforma ES-QUER-DA afinal!!!
Okay, okay… mais uma hora, menos uma, não faz diferença para quem passou o dia todo esperando…
Nessa plataforma, não vimos tantas coisas interessantes quanto na primeira, a não ser o menino dos “quitutes” que veio novamente oferecer doces para os nossos pais, pro meu marido e filhos que ainda não tenho, avós, primos, pra irmã por parte de pai do cunhado da filha do meu tio avô que mora em “Far far away”, pro sobrinhos, cachorro, e desta vez ele falou pra levar chocolate até pro papagaio, juro!
Pena que só tínhamos dinheiro para a passagem, senão eu comprava doces aos montes para toda essa gente, ainda  mais porque estava aguando de vontade de comer uma barra de chocolate daquelas bem suculentas…
Enfim, depois de longos e exautos minutos de pura pressão psicológica e alucinaçãoes, o Santo Amaro chega… cheio, mas cheeio… com o triplo de pessoas contadas nos ônibus anteriores…

- E aí, quer esperar outro?
- Deeus me livre! Outro só amanhã pai…

Então, nos enchemos de coragem, respiramos fundo, fechamos os olhos… 1, 2, 3  e… já era! Entramos!
Rapaz, a situação estava caótica!
As pessoas se empurrando, dando “bundadas” umas nas outras, sentadas nos degraus… e o efeito Montanha-Russa então?! Demais! Cada lombada do ônibus, era uma sensação semelhante à da descida frenética da Montanha-Russa!
Mas inesquecível mesmo, foi uma “tiazinha” que atravessou selvagemente o ônibus desde lá da frente até o final para saltar, e o motorista não abriu a porta! A coitadinha ficou gritando, mas ele e o trocador fingiram não ouvir…. então, o povo tomou as “dores da tia”, e todos se uniram numa só voz, num mesmo tom, contra aquele pôio do motorista, dizendo; ou melhor…gritando:

“ – Ô MOTORISTAA, ABRE AQUI PÔÔÔÔ!!!!!! “

Parecia até excursão de escola, ônibus de acampamento, ou algo semelhante…
Mediante à esta situação, um “curta” passou por nossas cabeças…
O shopping fecha às 22:00 horas… nos imagine, descendo do ônibus às 21:55, e chegando na Saraiva às 21:59… e aí:

- Moço, boa noite, você pode me ajudar?
- Sim, pois não?
- Tô com um probleminha aqui…é que assim…
- Aé?!! E o que eu tenho a ver com isso? Todo mundo tem problemas…se vira!

[ Sim, esse era o nosso pensamento ]

Mas logo voltamos à realidade, e finalmente chegamos lá, achamos a Saraiva, e fomos procurar o tal do Felipe…

- Oi, boa noite, o Felipe está?
- Ta sim, ó ele aí…
- Oi Felipe tudo bem? Então ó, é o seguinte… [ e explicamos a ele toda aquela lorota que vocês já estão carecas de saber...], tem como resolver né?
- Tem sim, podem escolher o modelo, a marca, aí vocês levam o formulário de troca preenchido no caixa, depois passam no atendimento ao cliente pra pegar a mercadoria, ok?
- Beleza… valeu!

E fomos lá…lindos e super sorridentes pagar…

- Oláá, boa noite!! (entregamos o formulário).
- Boa noite, hmm, ok… formulário de troca, tudo certinho, perfeito! Qual a
forma de pagamento?
- Cartão, em débito por favor…
- Pois não…

Já estávamos dando pulos de felicidade (ninguém manda cantar vitória antes do tempo), quando de repente:

- O cartão não está passando senhora…
- Como assim??!!!
- É, não etá passando não…vou tentar de novo.
- Ah, só faltava essa agora!
- Ah não, impossível isso…tem saldo disponível! (dizia Nathi calmamente, porém com um leve tom de irritação em sua voz)…
- É, não está passando mesmo…
- Caraca, que que a gente faz agora hein?
- Olha, porque vocês não tentam usar o banco 24 horas?
- É, talvez dê certo…onde tem um da caixa econômica?
- Você entra por esta loja de esportes ao lado, ao final dela tem uma porta que dá direto ao estacionamento, onde tem as máquinas…

Ok, e lá vamos nós outra vez… Chegamos ao estacionamento, e nos deparamos com inúmeros “24 horas”, seguimos desesperadamente pro da caixa…
Nathi entrou no local para tentar usar o cartão… enquanto isso, eu, papai e a Elílde (uma moça que trabalha ha anos conosco…já é irmã, faz parte da família), comentávamos entre nós:

- Cara, eu não acredito nisso…
- Pois é, que coisa!
- Viemos aqui à toa!
- Pior de tudo, é que passamos por tudo isso, toda essa maratona, esse estresse, para voltarmos pra casa de mãos abanando.
- É, que saco isso… o pior também, é que…
- @#$%*&##%@¨$ !!!!!!!  [isso foi a Nathi lá dentro]

Ela sai de lá vermelha de raiva…

- Eu não consigo entender, juro! Olha o extrato…tem saldo disponível aqui…
- Tenta usar o do Itaú…

Ela foi lá… e depois de cinco minutos…

- Não, não…impossível de acreditar… Nem essa bosta do Itaú está funcionando, o mesmo problema que o da caixa…tem saldo, mas não consigo passar e nem sacar nada!
- É…pelo jeito teremos que vir aqui amanhã então…
- Vamos voltar pra casa, mas antes vamos passar na loja pra avisar pro Felipe reservar os aparelhos…

Fomos para a loja… o pessoal foi muito educado mesmo!
A moça do caixa:

- E aí, deu certo?
- Não…infelizmente não…não sei o que está acontecendo…usei o cartão ontem!
- Vamos tentar outra vez… Deus é Deus né!!

Eles fizeram de tudo! Passaram em todas as máquinas do caixa, as do atendimento ao cliente, da sessão papelaria, da lojinha de cd’s, do café…tudo! Mas todas rejeitavam o cartão…

- Ah, que saco pô!
- Olha, vamos fazer assim… se tiver como voltar amanhã, eu reservo os aparelhos pra vocês, aí vocês levam o vale-presente na quantia do preço como garantia, e amanhã pagam….pode ser?
- Ta bom querida…muito obrigada viu?!!
- De naada, boa sorte!

E seguimos para casa…
Ok, ok! Tudo certo e nada resolvido!

Depois andamos muito ainda para chegar no ponto de ônibus, nos enganamos de plataforma de novo, mas conseguimos nos localizar!

Pelo menos, desta vez, o ônibus de volta para casa não estava cheio…

Continua…

Acordei Bemol
Estava tudo Sustenido.
Sol fazia,
Só não fazia sentido

{.Paulo Leminski. }

Sintaxe à vontade

"Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser.
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado;
Nem tampouco a vírgula, a crase, nem a frase, e nem o ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos opõem entre pausas, entre vírgulas; e estar entre vírgulas é aposto.
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos, sendo apenas um sujeito simples!"


 

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Sobre a Leitura



"Deve-se ler pouco e reler muito.
Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem.
É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."

Nelson Rodrigues


"Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem.
Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?

Franz Kafka.
SOBRE A ESCRITA...

"O que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la!"


"Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos.
Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas.
Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras."


"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir
Não sou pretenciosa.
Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando "...


"A palavra é minha quarta dimensão.
[...] escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é a palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca - alguma coisa se escreveu."


"Eu só escrevo quando eu quero. Sou uma amadora, e faço questão de continuar a ser amadora.
Profissional, é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro.
Agora eu faço questão de não ser profissional, para manter a minha liberdade"

Clarice Lispector

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"É somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta através do preparo culinário, que ela é tornada susceptível de mastigação ou digestão; e que a visão de seus sucos sangrentos e horror puro, não criam um desgosto e abominação intoleráveis."

Percy Bysshe Shelley.

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