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E no dia seguinte…

AÍ QUANDO EU ACORDO, O TICO E O TECO RESOLVEM PEGAR PESADO NO SONO!!

 

¬¬

Sobre a Insônia

 

Ah, o Tico e o Teco falam demais sabe?
Reclamam demais, gesticulam demais, contam novidades até demais…
Pra eles, é tudo demais, tudo de mais, tudo mais e mais!

Relembram a infância, a doce e, ou amarga juventude, os passos do passado.
Conversam demais, se empolgam, se depreciam, brigam, se alegram, se apaixonam demais.
Relembram até do que aconteceu há cinco minutos atrás…

O Tico e o Teco, falam de suas alegrias, tristezas, das desavenças, pazes, dos casos e acasos, as conquitas, os foras, os amores possíveis, os (im)possíveis e também pensam apenas nas possibilidades, nas diferenças, indiferenças e reticências…

Escrevem sobre seus futuros… de como serão daqui a vinte, trinta, cinquenta anos!
Estarão casados? Bem empregados? Com filhos? Solteitos? Carecas ou cabeludos?
O que vocês acham?
Vamos, junte-se e pense com eles!!

Também escrevem sobre seus medos e sobre mais amores; afinal, para esses rapazes, falar de amor nunca é de mais, é sempre demais!!

Escrevem, descrevem, reescrevem, riscam, desenham, rabiscam em suas folhas de rascunhos imaginários…
Pensam, sonham, indagam, falam, gritam e principalmente vivem…
Vivem o passado, o presente, o outrora…
Assim como faço eu agora.

QUE DROGA!

Tudo por causa desse Tico… ,  desse Teco…
Esses caras me tiram o sono!

 

AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!

 

...

Um quilo de Alcântara.

.

Um pouco de comédia vai….

.

Certa vez, minha mãe pediu para que eu fosse ao açougue comprar carne moída.
Chegando lá, fiz o pedido e esperei.
Enquanto aguardava, outras pessoas faziam seus devidos pedidos.
E este tinha que estar bem ao meu lado…TINHA!!!

- Pois não?…
- Oi moço, boa tarde, mê vê um quilo de alcântara, por favor…
- Como?
- Um quilo de alcântara.
- Ãhn?
- Eu quero um quilo de AL-CÂÂN-TAA-RAAA, por favor…

E o rapaz:

- Ah sim… um quilo de ALCAAATRA! Pois não, só um momento…

Risada nada interna, porém contida; daquelas, que vira-se para o lado, ri por cinco segundos, e volta ao normal com a cara mais lavada e séria do mundo, como se nada tivesse escutado.

Tô falando…essas coisas só acontecem com quem tem riso frouxo.
Eu não consigo me conter…

.

.
Queridos, queridas…
Agradeço imensuravelmente a todos que sempre passam aqui…vocês são muito especiais viu?!!!
E aproveito a deixa para pedir desculpas pelo sumiço… promento que vou tentar deixar o blogue atualizado…

KISSUSS!

=)

O efeito Alice

Ao levantar a cabeça, uma surpresa.
Ainda chovia, mas o dia não era mais cinzento.
O sol aparecera expulsando o cinza, dando lugar ao azul-turquesa de seu sonho ao céu.
O coração encheu-se de um “sei lá o que” muito bom, deixando transparecer no rosto, um sorriso feito o de Alice, e permitiu-se a prestar mais atenção em tudo que a cercava.

Primeiramente, olhou dentro do ônibus.
Meu Deus, como haviam pessoas diferentes ali. Isso porque era apenas um ônibus.

No corredor ao lado, um senhor barbudo espantava uma mosca, talvez imaginária, dando tapas descoordenados no batatudo nariz, ao pescar o sono.
À frente dele, duas senhorinhas de olhares aparentemente bondosos, tricotavam sobre a vigília nada boa do padre Miguel.
Em pé, com as duas mãos apoiadas na barra de metal; um adolescente com os fones de ouvido no último volume, embalado pelo som alucinante do “tuntz tuntz”, que hoje cismam em chamar de música boa.
Na catraca, uma moça alta que aparentemente acabara de chegar de uma longa viagem, com um mochilão nas costas, e carregando a casa dentro da mala vermelha e gigante de rodinhas, na mão,  cutucava o cobrador que adormecera em cima dos trocos.
E a chuva limpando o dia.

Cansada daquela realidade momentânea, decidiu ver o que tinha de bom do lado de fora.

Pelo visto, não era a única na cidade a trabalhar no tão sonhado feriado…
Pessoas bocejavam na porta de suas lojas, sem nada a fazer; umas, levando seus cachorros para passear e outras sendo levadas por eles.
Era engraçado de se ver.

Mais a frente, quando o ônibus parou num sinal, viu um grupinho de meninas a brincar de amarelinha….
Desejou ter aquela idade novamente,  quando brincava de elástico, pega-pega, corre cotia, amarelinha, queimada, barra-manteiga e etc… a saudade veio como um esboço de sorriso em seu rosto.
À julgar pelo tamanho e o jeito desengonçado e engraçado de pular as casas, a menina mais nova, caiu ralando o joelhinho a chorar muito… imediatamente as outras meninas e uma moça morena com longos cachos no cabelo, vieram socorrê-la, levando-a para dentro de casa…
Provavelmente, devem ter-lhe afagado os cabelos, encorajando a guria sentada com os braços envoltos nas pernas magrelinhas a olhar o joelho sangrando, encorajando-a a passar o remédio que ao assoprar não arderia tanto…
Mas esta cena já não pôde presenciar, pois o sinal já havia liberado a cor verde.

E o ônibus seguiu.
E Lorena seguiu junto com ele à observar tudo… a chuva que tinha cessado, o mormaço, velhinhos jogando cartas na mesa de concreto de uma antiga praça, o mini-mercado aberto, os cachorrinhos de rua molhados, um casal de namorados no ponto de ônibus ainda debaixo do guarda chuva xadrez, felizes da vida.

Mais uma parada.
Quase não acreditou ao ver sua janela toda verde.
Aconteceu que o ônibus parou encostadíssimo à uma árvore, fazendo com que todo o vidro da janela fosse tomado por folhas.
Folhas úmidas, o cheiro de orvalho, as gotículas escorrendo pelo vidro.
Ficara ali, sorrindo que nem boba para a janela ou para as folhas…já não sabia pra quem sorria…mas sorria, e o ônibus seguiu…

Encostou a cabeça no vidro, e com sede de absorver somente as coisas boas, olhou um pouco para cima e se viu encantada diante daquele imenso arco-íris… tão suave e quente, tão calmo e vivo.

- Inacreditável!  -  Disse admirada.
Tinha os olhos mareados e o coração apaixonado.
Aprendera a se apaixonar naquele dia, naquele ônibus… será o “efeito Alice”?
Seria sempre grata `a menina pelo bem que lhe causara.

Embora não quisesse, notou que já era hora de descer.
Colocou-se na ponta dos pés ao puxar a cordinha azul, e desceu despedindo-se de tudo o que vira e aprendera dentro e fora daquele ônibus…tudo o que ela levaria consigo para o resto de sua vida.

Chegou em seu trabalho, e nada tinha a fazer.
Ainda procurou pequenos trabalhos e detalhes pendentes…e nada!
Então, após trocar a roupa molhada pelo chique uniforme, sentou-se na cadeira, pegou seu livro, e sentiu-se desencorajada à lê-lo de tão molhado que estava.

Pegou então o desenho de Alice e ficou a observá-lo tão encantada a pensar como tudo aquilo pôde lhe acontecer…
“Deve ser coisa de Deus”, pensava…
Como? Mas como uma pessoinha de seis  anos pode mudar seu dia horrível e torná-lo tão belo? Pode ser uma criança, uma borboleta, um velhinho ou um cachorro…
- “É… deve ser coisa de Deus mesmo” ;   verbalizou o pensamento.

Enfim…
Depois de muito observar o desenho de Alice, Lorena adormeceu sobre ele, conseguindo o que queria desde o momento que acordara… voltar pr’aquele sonho.
 Aquele lugar em que havia só ela, a grama e o céu azul-turquesa.
Só que desta vez, em seu sonho havia bem mais coisas…
Havia uma menina banguela de cachos douradinhos no cabelo, acompanhada por sua mãe, havia o riozinho, as nuvens, as maçãs nas árvores, o sol, o cachorro e até a roda gigante!!

E ficou ali adormecida sobre a mesa a sonhar das oito horas da manhã, à uma da tarde quando fora novamente despertada pelo cantar do galo digital.
Mas desta vez não acordara assustada.
Acordou com o coração sorrindo dentro de si.
Acordou muito feliz!

Alice, Lorena e um desenho.

A guria aparentava ter seus cinco ou seis anos, talvez.
Era linda!
Loira, de cabelos encaracolados, olhos bem verdinhos, feito a grama de primavera de seu sonho, e um dentinho faltava-lhe logo à frente.
Diante da educação da menina, Lorena acenou que sim com a cabeça (podia sentar-se ao seu lado) para a menina que retribuiu com o sorriso banguelinha.
A mãe, sentada à frente, agradecera-lhe também.

Encostou a cabeça na janela, concentrando-se apenas na música, quando ouve de repente:

- O que você está vendo? – Perguntou a menina toda curiosa e instigada, querendo saber o porque Lorena olhava tanto e só para fora…  – É uma nuvem?
- Oi? O que você disse? Eu não ouvi, desculpe…

A menina deu de ombros, com riso de janelinha e charmosa, desculpando-a.

- Perguntei o que você está vendo… é uma nuvem? Qual é a forma dela?
- Ahh, não é nada não….. como é o seu nome?
- Alice, muito prazer
  -  disse a menina estendendo animada a mão direita e perguntando em seguida  - e você?
Lorena estendeu a mão para a menina notando suas unhas tão pequeninas pintadas de esmalte cor-de-rosa com glitter… “que graça”- pensou… e disse: - Lorena, muito prazer também…
- Então Alice… não é nada demais não…
- Hum… pensei que estivesse vendo algo bonito. Queria ver também….
- Ah que pena…
disse sem paciência – mas outro dia você vai encontrar uma coisa beem bonita pra ver.
- É que…eu queria ver hoje… agora… e com você.

PUTZ! Era só o que faltava… além de trabalhar num sábado de feriado, bater a cabeça, ser molhada da cabeça aos pés pela água de uma poça imunda, tomar chuva e perder o guarda-chuva, agora ter que aguentar uma criança querendo ver algo bonito com você, justamente quando você só quer fechar os olhos e dormir, era uma coisa que não agradava Lorena no momento.
Conteve-se em paciência, pois além da menina ser adorável, sua mãe estava sentada a frente á escutar tudo.
 
- Talvez eu não consiga enxergar as coisas bonitas hoje, porque estou muito cansada, sabe Alice…?
- Hum… sei como é… quando eu vou na festa das minhas amigas, fico muito cansada… você foi na festa da sua amiga?
- Não, não fui não
  -  respondeu Lorena achando graça…
- Não? Então por quê você ta cansada agora de manhã?

Lorena emudeceu-se por um instante, pensativa e perguntou em seguida…

- Você tem algo bonito para me mostrar Alice?
- TENHO!
   -   respondeu com um sorriso elefantesco no rosto.

Vasculhou a bolsinha de tecido transversal lilás com borboletas, e tirou dela um papel e o abriu…

- Tenho esse desenho, olha…. é bem bonito!

Foi o bastante Lorena olhar o desenho, e ficar boquiaberta.

- UAU Alice! Nossa! Lindo! Muito bonito mesmo! Parabéns!

O desenho de Alice:

Um lugar.
Um lugar desconhecido, com grama, e um céu azul-turquesa.

Nota:  Também havia uma árvore.

A menina riu timidamente agradecendo os elogios.

Aquele era o lugar que Lorena tanto buscava, desde que acordara.

- Sabe, eu ainda não terminei… ainda faltam as nuvens e as maçãs das árvores… eu adoro maçãs  -  e ah, falta também o sol, um riozinho, eu e a minha cachorrinha… queria desenhar uma roda gigante também, mas acho que não vai caber no papel, né?  -  finalizou.
- É Alice, a roda gigante é bem gigante mesmo…acho que não vai cabe aqui não... – respondeu contemplando a menina.
- É… pensei nisso. Mas dá pra desenhar na cartolina que é gigante que nem a roda!
- Boa idéia! Na cartolina dá até pra desenhar o parque de diversões inteiro, se quiser…

A menina soltou uma gargalhada alta, aguda e verdadeiramente bela, fazendo até sua mãe virar-se para trás rindo também…

- Vamos filha? Já chegamos… dá tchau pra moça…
- É Lorena mããe!

- Então dá tchau pra Lorena filha… – disse a mãe rindo…

-Tchau Lorena! Despediu-se a menina com um abraço e um beijo em Lorena…  – Toma…pode ficar pra você!  E entregou-lhe o desenho.

- Poxa Alice… muito obrigada!
- De nada!

- Tchau tchau  LORENA – disse a mãe da menina enfatizando seu nome, rindo timidamente…
-Tchau… até mais.
- Tchau Lorena!
– Disse agora a menina já descendo do ônibus, agarrada à mão da mãe…
- Tchau Alice…e muito obrigada!!!

Elas acenaram alegremente dando tchau e beijinhos, e o ônibus seguiu.

Ainda com o fone no ouvido, ficou a admirar o desenho, e a tentar entender o que lhe ocorrera…
Dobrou a folha ao meio, e conservou-a cuidadosamente em suas mãos, para não correr o risco de molhar…

Continua…

Um dia daqueles

Chovia…

Quando acordou, assustada com os pingos que batiam com brutalidade em sua janela, desejou não mais acordar.
Fechou os olhos em desespero a voltar para seu sonho, onde havia somente ela (Lorena), a  grama, e o céu azul – turquesa, livre da independência indiferente das nuvens.

Quando enfim, estava quase a voltar pr’esse lugar desconhecido, fora abruptamente interrompida pelo cantar do galo digital –  uma dessas modernidades para aparelhos eletrônicos.
Tomada pelo susto, levantou rapidamente a cabeça, batendo-a com força na luminária presa à sua cama.

- AAHHH! – Exclamou com raiva, quase a acordar a irmã que balbuciava palavras como querendo-a mandar calar a boca, se revirando revolta na cama abaixo.

Passado o susto, sentou-se para tentar acordar.
Com cotovelos apoiados nos joelhos, e mãos ao rosto em movimentos circulares a esfregar os olhos, tentava pensar que não teria que levantar para trabalhar – mas teria.
Inclinou-se para trás, elevando os braços, pernas e todo o corpo, feito gato a se esticar.
Do lado de fora, também ouvia-se os ossos a acordar.
Sentou-se novamente suspirando desânimo.

Abriu a janela, e de imediato, recebeu em suas pernas desnudas da camisola amarrotada, pingos que mais pareciam-lhe gotas de gelo.
Avermelhou-se de uma raiva matinal, contendo-a para não acordar a irmã.
Desceu da cama e seguiu para o banheiro, onde tomou um banho e vestiu-se o mais rápido que pôde.
Ao cabelo cheio de nós, deu-lhe um sonolento penteado, que visto de longe, lembrara um coque.
Mas só de longe – e definitivamente não era um coque.
Era um “sei lá o quê” cheio de cabelo…

Encheu o peito e a cara ainda amarrotada pelo sono, de coragem, e seguiu.
Ao sair do prédio, percebera que seu ônibus havia acabado de passar, fazendo com que suas têmporas ganhassem mais um tom de: vermelho- raiva.
Seguiu então, a caminho do ponto de ônibus, tentando equilibrar-se entre a bolsa pendurada no ombro esquerdo, a chuva, o vento, e o guarda chuva ameaçando fugir de sua mão direita.
Quanto mais se equilibrava, e mais depressa andava, mais chovia…
E chovia com grosseria e ousadia.

Após dez minutos de luta constante contra a chuva, o vento, e seu corpo, conseguiu enfim, chegar  ao seu destino.
O ponto de ônibus.

.

.

E lá esperou.
E enquanto esperava, a chuva aumentava;
O guarda – chuva tremia  –  ela, metade molhada.
Avistara ao longe, um carro a deslizar ligeiro pelo asfalto em direção à rua onde encontrava-se  desequilibrada, e logo percebera o que aconteceria em… 10, 9, 8, 7, 6 …

Recuou ao máximo que pôde, encostando-se na parede cinzenta, de rústica e rochosa textura, colocando inutilmente o guarda – chuva já do avesso à sua frente, quando … 5, 4, 3, 2, 1, e… então passaram- se as rodas do automóvel apressado, por cima da poça, molhando-a de corpo inteiro, fazendo-a perder seu guarda – chuva pelo susto da água suja e gelada vinda da poça, e pelo vento que o levara ao avesso.

Gritar com alguém era a sua vontade.
Mas não o fez, porque não tinha com quem partilhar a sua raiva; e… mesmo se houvesse, não o faria. Não fora esta ríspida educação que recebera.
Restou então, cruzar os braços e esperar o outro ônibus ali mesmo… embaixo da chuva.
As gotas pareciam tapear-lhe a cara de tão rápidas, frias e grosseiras.
Tentava levar seu pessimismo pra longe, mas não conseguia.
Se o dia já a tratara assim logo pela manhã, o que mais aconteceria?
Prometeu não pensar nas terríveis possibilidades, pois sabia que teria um dia daqueles…

Avistou alguém chegando ao ponto, a fazer-lhe “companhia”, e desejou ser aquele alguém que estava seco, de casaco e guarda-chuva por um instante, mas logo desistiu da idéia ao ver seu ônibus se aproximar.

Adentrando ao saculejante transporte, percebera todas as atenções voltadas para si, devido ao seu traje encharcado, e ao seu desajeitado modo de passar pela catraca tão irritadamente, fazendo a alça da bolsa prender enquanto a catraca girava, levando-a  à um quase-tombo.

.
Após os dez segundos mais longos de sua vida, passeou o olhar por todos  os lugares, escolhendo o mais distantes dos olhares e ali sentou.
Ajeitou a bolsa de preta de tecido, completamente molhada em seu colo, colocou os fones no ouvido, e… tomada pelo susto do último volume da música, pulou do banco, fazendo os olhares voltarem novamente para si.
Retribuiu-os com o sorriso mais amarelo que achara em seu rosto apático, e disfarçadamente diminuiu o volume.

A música que tocava, era limpa e suave.
Ouvia-se todos os instrumentos poetizarem.

Abria e fechava os olhos lentamente e inúmeras vezes na frustrada e inútil tentativa de voltar àquele lugar. Aquele, de seu sonho.
Numa das vezes em que abriu os olhos, deparou-se com uma menina em sua frente, pedindo muito educada e docemente, licença para sentar-se ao seu lado….

Continua…

Aprendendo a contar…

Indo para o trabalho ontem, dentro de um ônibus cheio de calor humano, uma pessoa do sexo feminino, resolve contar todos os dias de fevereiro.

.

- Nossa, dia 6 já…

Eu, de óculos escuros e fone no ouvido, fingi que nada ouvi.

- Os dias passam tão rápidos… NÉ?!!  -  Disse pra mim, com o “NÉ” e sombrancelhas enfatizadas… olhei sem-graça respondendo…

- Pois é…
- Cê vê minina! O carnaval lá na Bahia, começou antes da farra, no dia 29, 30 e 31. Aí, emendou com o dia 1-sexta, 2-sábado, 3-domingo, 4-segunda, 5-terça, e hoje quarta-6… rápido né?
- É sim
.
- Pior é o povo indo trabalhar depois de 12:00… você trabalha?
- Aham…
- Entra que horas?

- 13:15
- Ah, eu entro às 13:00.
- Hum…

.

.
… Breve silêncio …
… Breve MESMO …

.

.

- Pior é que quando vemos, o mês já acabou né…
- É… passa rapidão… NÉ!  (Este “NÉ” cínico, foi o meu erro, reparem…)
- Vixe minina, e como! Só pra você ver… hoje é dia 6-quarta, trabalhamos mais dois dias… 7-quinta, 8-sexta… só é ruim pra quem trabalha de sábado…você trabalha?
- As vezes.

- Vai trabalhar neste, dia 9?
- Aham.
- Que pena! Aí depois vem domingo dia 10, segunda-11, terça-12, quarta-13, e quinta-14 que é aniversário da minha filha, que faz junto com a minha irmã… mas a festa da minha filha vai ser amanhã dia 15 e da minha irma no dia 16-sábado… -  Depois vem 17-domingo e 18 e 19, que é segunda e terça, e quarta que já é dia 20… e já estamos no meio do mês… pode?
- É, pode né…

- E na quarta que vem já é dia 27 e sexta, dia 29..e acaba o mês…Passa rápido né…
- Huum…
- E março vai passar rapidinho também de tanta coisa que eu tenho pra fazer, que nem os salgados do aniversário do meu afilh…..

- Moça, desculpa interromper… eu adoraria ficar aqui conversando e saber sua programação pra março, mas infelizmente eu tenho que descer já…
- Ah, mas já? Ia te chamar pro aniversário da minha filha, dia 15 agora…
- Ah, que pena.. - Disse descendo já do ônibus… - Mas fica pra próxima, ok?
- Tudo bem…

De repente a bonita coloca a cabeça pra fora do ônibus e grita:

- E o seu, quando é?
- O meu o quê?
- Seu aniversário…
- Só em novembro…
- Ah, tá longe!

GRAÇAS A DEUS - pensei logo…

Imagina se ela resolvesse contar todos os dias dos meses que se passam até chegar em novembro??

E a vontade de rir, onde coloco?
E a vontade de mandar ela brincar esconde-esconde, contando até 100 enquanto os outros se escondem… eu, no caso, fugindo?
Onde coloco hein? hein?

.

Essas coisas só acontecem comigo mesmo…rs
¬¬

É certo?

A vontade é certa, eu sei.
É falar.
E falar é certo.
Pelo menos, é o que me parece.
Mas…
Cadê a coragem?

Isso só nos faz parecer certos fracassados.
É errado falar o certo?
Falar o certo, para a pessoa certa, na hora certa?

Acertaram!
Não é errado!

Errado é deixar o orgulho fazer o certo parecer errado, sendo que não é.
Errado seria falar certo na hora errada, ou…
Falar errado na hora certa.
E embora existisse uma razão… por mais ínfima que fosse,
Sempre haveria desavenças,
Pois o certo e o errado nunca se acertam!

Errado é o que faço.
Esconder-me num jogo de palavras que conjeturam o que é certo e o que é o errado.
Errado é se omitir, esconder-se atrás das letras como se fossem muralhas.
Que pode acontecer de tão horrendo?

Nada!
No mínimo ouvir a tristeza de um não, dito quase que muitas vezes gentilmente,
Ou surpreender-se com um sim indiferente
Só isso!
Não se morre, não se sofre.

Na verdade, até há sofrimento.
Sofrimento nas palavras certas que lhe parecem erradas.
Essa é a maior violência.

A violência que mora dentro das pessoas que deixam o orgulho ou o medo subirem ao pódio em seu lugar, carregando no rosto, o sorriso de vitória, e no pescoço a medalha de ouro reluzente que era pra ser sua. O que era certo.

Eu sou uma dessas pessoas,
E no meu caso, sinto medo.

Sem título!

Mais de cem palavras foram escritas.
Nenhuma delas serviu.
Foram apagadas.

Algumas até concordavam com o que eu queria dizer, mas ainda sim, de alguma maneira, não se achavam em ordem.

Recomecei.
Anotei algo aqui, outro alí…
Novamente apaguei.

Reescrevi com caneta para ver se as palavras se aquietavam permanentes como a tinta.
Mas de nada adiantou.
Depois de meia dúzia de palavras, o borrão azul da caneta, passou furiosamente por cima delas em movimentos circulares.

Acho que não sei ou não tenho o que dizer… ou ainda, acho que estava tentando escrever sobre algo que nem eu sei o que é, e se nem mesmo existe.

Só sei que agora, estou aqui novamente com um pouco mais de cem palavras, que formaram um texto que diz literalmente e com clareza, o que é a: FALTA DE IMAGINAÇÃO!!!

.

.

Nota:  139 palavras.

Enfim…a volta!

Ter saído de um pouco mais de duzentos metros quadrados para apenas cinqüenta e um, tem sido realmente uma verdadeira lição…
Mas também tem sido uma experiência diferente, engraçada, edificante e cansativa…

É que para pessoas que tiveram sua infância, adolescência e juventude vividas numa casa, brincando com dois, três cachorros num imenso quintal, tem realmente uma certa dificuldade para lidar com esta situação…
Experiência própria!

De repente, tudo tornou-se muito estranho.
Tornou-se estranho, e muito estranho ter somente um cachorro,
Muito estranho estipular-se à fazer barulho,
Estranho não ouvir música no último volume, fazendo com que os vidros das janelas vibrem ao seu ritmo.
Tornou-se muito estranho não poder gargalhar alto de madrugada, ou não poder cantar mais alto ainda a sua música preferida com toda sua voz desafinada pela emoção… ou não!

Mais estranho ainda é viver em um “quase reality show”, onde há câmeras espalhadas por todos os lugares…nas portarias, nos blocos, escadas, elevadores, garagens…
Não duvidaria se me falassem que há uma câmera disfarçada de estrela de teto que brilha no escuro no meu quarto…. não duvidaria mesmo!

Mas enfim…
Tirando este meu lado pouco dramático de absurdificar as coisas, confesso que em parte também tenho gostado de viver “engaiolada”.

Conheci pessoas novas, e muitos (acreditem) muitos cachorros…tenho amizades caninas em quase todos os blocos do condomínio…
E coisas como: não ter que subir as ecadas a todo minuto, não limpar as necessidades fisiológicas de nossos cachorros, que faziam do quintal um campo minado, e não ter atender a porta toda hora lidando com as mais diferentes figuras como: vendedores de vassoura, alho, bichos de pelúcia gigantes, testemunhas de Jeová, monges e ciganas, tem sido uma verdadeira alegria!!

E por fim, uma coisa engraçada de se viver em apartamento, é ver como não se “gasta caloria” dentro dele…
Abre-se a porta de um quarto e vira à esquerda, encontra-se o banheiro.
Se vira à direita, outro quarto.
Dois passos à frente… a sala.
Mais dois passos à frente, com um à esquerda, a cozinha.
E aí “termina a casa”!

Não se anda muito, e se esbarra demais com os demais…
Mas estamos nos esforçando à aprender né…
Ces’t la vie! Fazer o quê?

.

.

Queridos!!
Quanta saudade!
Mas quanta saudade mesmo!
Peço-lhes perdão pelo sumiço…. mas desde a mudança fiquei sem internet, que graças a Deus voltou hoje de manha!  \O/
Prometo que na próxima atualização não lhes trago algo tão: “Meu querido diário”, como hoje, Okeijo??

É que tanta coisa aconteceu, que não achei a ordem certa das palavras…

Beijos gigantes!
Que 2008, seja na vida de vocês, abençoado por Deus, e cheio de
Alegria, Felicidade, Honra e Regozijo!!!!

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